6 de abr de 2008

Os invasores

Como eu disse no último post, a respeito de como se maneja o rating dos estrangeiros aqui nos EUA, eu lembrava que o Cícero Braga e o Rubens Filguth tinham algo a ver com isso. Então entrei em contato com o Cícero e ele me contou a história que tomo a liberdade de reproduzir aqui:
"Olá Silvio.
Em 1977 estive com o Filguth na Califórnia. Jogamos 7 Opens, sendo que eu venci 5 e ele venceu os outros 2. Naquela época não havia rating CBX e nosso rating FIDE ainda não havia saído. Nosso rating americano sairia só em 3 meses. A princípio os organizadores (conforme o regulamento previa) deixavam a gente escolher a categoria que jogaríamos, por exemplo: no meu primeiro torneio (Gold West Open Tournament, in West Los Angeles) escolhi jogar na categoria under 2.000 e ganhei os 500 dólares do primeiro prêmio da categoria (Só jogava contra adversários da mesma categoria). Após nossa quinta vitória em torneios foi publicado um artigo numa revista de xadrez da Califórnia intitulado 'Os invasores brasileiros atacam novamente'. Quando fomos participar do sexto torneio em West Covina e entramos numa lanchonete antes de fazermos a inscrição, lá estava o adversário que eu havia derrotado na penúltima rodada do 'Gold West'. Ao nos ver ele largou o breakfast e correu para o salão do torneio. Lá chegando encontramos a maior confusão armada pelo jogador e fomos obrigados a participar na categoria principal. O Filguth ganhou aquele torneio.
O sétimo torneio foi o 'American Open', em Los Angeles. Neste nem houve discussão, nos obrigaram a jogar na categoria principal. Perdi na primeira rodada, após forçar uma posição empatada contra um adversário de menor expressão, mas depois, correndo por baixo, ganhei as 7 rodadas restantes e terminei em primeiro lugar, a frente de alguns GMIs como o Lein, Browne e Christianssen. Acabei ganhando 1.000 dólares.
Acho que eles começaram a mudar as regras já durante nossa estada na Califórnia.
Abraço.
Cícero."

Fantástico!
Quero deixar registrado aqui minha enorme admiração por esses grandes jogadores (e o Filguth, para quem não conhece, é realmente grande, com quase dois metros de altura) de quem tenho o privilégio de ser amigo, particularmente o Cícero, que considero um dos mais fortes e completos enxadristas brasileiros que já vi jogar. Infelizmente, como tantos outros, ainda não teve oportunidade de chegar a grande mestre. Espero que não tenha desistido.
Eu tenho, aí no Brasil, um exemplar da Chess Life and Review da época desse Aberto dos Estados Unidos com uma matéria com foto do Cícero, comentando sobre o forte jogador brasileiro que liderava o torneio à frente dos principais GM's americanos. Esses brasileiros fizeram história.

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