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20 de jan. de 2009

Invadindo o recanto do capivara (parte 2)

Ao se estudar uma posição é conveniente saber os bons lances e os lances ruins, ou, em se tratando de idéias, as boas e as ruins. Isso ajuda muito na tomada de decisões, tanto para melhorar (ou ganhar) uma posição quanto para não fazer besteira.
Vamos dar uma olhada em algumas posições envolvendo Bispos de cores iguais:

Aqui temos Bispo e peão da torre contra Rei. No diagrama da esquerda não é possível expulsar o Rei da frente do peão pois o Bispo e Peão atacam apenas uma das duas casas disponíveis para o Rei (g8).
1. h6 Rh8 2. Be4 Rg8 n3. Rg6 Rh8 4. h7 empate.
Já no segundo caso as brancas ganham:
1.a6 Ra7 2. Be6 Rg8 3. Rg6 Rh8 4. Bd5 Rg8 5. h7



No ex da esque
rda vemos manobra típica de ganho com e Rei preto distante do Peão:
1.Rd8 Bg6 2.Bb5 Rd4 3.Be8 Bc2 4. Bf7 Bb5
5. Be6 Re5 6.Bd7 1-0

Já à direita o Rei preto se aproximou do Peão e impede a manobra Bd7. A tentativa de 1.Bd3
falha em vista de 1...Ba4 (aqui dá pra entender porque o Bispo da defesa precisa de uma diagonal maior) e se as brancas tentam Bg6-e8-d7 basta às pretas mudarem de diagonal (após Be8) com Be2-h5. Mas e se a diagonal fosse menor? Será que ganha sempre? O clássico problema a seguir ilustra bem isso:

As brancas jogam e ganham. Aqui dá pra ver que uma das duas diagonais que passam em frente ao peão (a7-b8 e h2-b8) é muito curta: tem só duas casas. Significa que se o Bispo preto estivesse em a7 em vez de h7 bastaria jogar o bispo branco na diagonal g1-a7. Se a posição estivesse deslocada uma casa para a direita não haveria vitória pois o Bispo ainda teria a casa a3 disponível. Vou deixar a solução desse problema para outro post (prometo que nò vai demorar). O título será "Como tirar o coelho da toca".




Vamos ver mais alguns exemplos pertinentes antes de encerrar este tópico. No exemplo à esquerda vemos uma posição em que é possível ganhar impedindo o Rei preto de alcançar a casa g7: 1. Rf8 Rg5 2. Rg7 Rf4 3. Rf6 Rg3 4. Bf5 Rf4 (agora vamos voltar a esta posição mas movendo as pretas) 5.Bd3 Rg6 6.Bf1 Rf4 7.Bc4 Rg6 8.Be6 Rf4 9. Bf5 Re3 10.Rg5 Rd4 11. Rh4 Re5 12. Rg5 Rd6 13 Rf6 1-0
E, finalmente, à direita um final mais próximo do nosso tema: 1. b6 Bd5 2.Ba6 Be4 3. Bb7 Bf5 4. Bf3 Bc8 6. Be2 Re7 7.Ba6 1-0
Espero que esses exemplos ajudem a entender um pouco mais sobre os bispos de cores iguais. E agora vamos ao que interessa.

12 de jan. de 2009

Invadindo o recanto do capivara (parte 1)

Nestes últimos dias estive praticamente impossibilitado de estudar xadrez fora do computador já que minha mesa de xadrez ("...que eu construí com minhas próprias mãos", parafraseando Lincoln) estava sendo utilizada para fins mais nobres.. Apesar de usar muito mais o computador, é bem mais agradável o contato com as peças e os livros de verdade, todos ali ao alcance das mãos.
Hoje resolvi, finalmente, analisar uma posição (só espero que ele não se incomode muito, já que não pedi permissão) que eu já tinha visto há algum tempo no blog que dá título ao post que é de um dos visitantes mais assíduos deste blog, o Mário Sérgio, a quem não conheço pessoalmente, mas com quem aprendo muita coisa sobre xadrez.
Em um dos posts el apresenta a seguinte posição, resultado de uma partida amistosa (na verdade não muito pois um queria o fígado do outro) que durou 3 horas (fora o ""post morten") e, como no poema de Fernando Pessoa, sob o heterônimo de Ricardo Reis) para aqueles guerreiros não importava o que se passava no mundo lá fora.

A posição, à primeira vista, está ganha para as brancas (peão a mais passado, Rei centralizado, Bispos de cores iguais e Peões isolados dos dois lados do tabuleiro, o que dificulta a defesa). Do lado das pretas temos uma grande harmonia entre Rei, Bispo e Peões que fazem uma barreira à entrada do Rei Branco.





As brancas traçaram o seguinte plano: "Os peões b6 e h6 impedem a invasão do rei pelas casas negras a5, c5 e g5. O bispo vigia as casas brancas e ataca o peão de h5, mantendo o bispo inimigo na defensiva. O rei permanece em e7 esperando o avanço do peão "f" até f6 (única forma de expulsa-lo) onde estará desprotegido
e poderá ser capturado. Depois basta sacrificar o bispo pelo peão da coluna "b" e o branco ficará apenas com o peão da torre e o bispo da cor errada."

Vamos ver o que aconteceu:51. Ke5 Be8 52. f4 Bf7 53. f5 Be8 54. f6+ Kf8
55. b5 Bf7 56. Kd6 Be8 57. Kc7 Kf7 58. Kxb6 Kxf6 59. Kc7 Bxb5 60. Bxb5 Kg7 1/2-1/2

Sem esquecer que foi uma partida séria mas amistosa, dá prá tirar algumas lições: a primeira é que jogar finais requer muita paciência. A segunda é que não dá pra se arrepender ao mover um peão: ao contrário das outras peças ele não volta!
s
Alguns comentários no blog :
"...acredito que seja empate, com um jogo correto por parte do bando negro.
Meus primeiro lance de Brancas seria: 1.Ke5 Bc6 2.f4 Ba4 3.Bg4 bb3 4.f5 Bc4 5.f6+ re8 6.Bf3 Bd3 6.Re6 Note o bispo branco é escravo da importante diagonal d1-h5. e como o bispo nào pode ajudar a aproximação do rei, creio em tablas.
Gabriel"

"Gabriel,
Nosso amigo do GDCX João Carlos Gatto fez uma análise com uma engine e insiste num ponto importante: as brancas não devem jogar b5. Ainda não olhei com calma, mas devo dizer que quando joguei a partida esse lance me facilitou a vida.
Mario Sérgio"

Comentário sobre os comentários: neste final, caso queiram ganhar, as brancas devem , no momento adequado, entregar algum material. Pode ser o Peão ou o próprio Bispo. Quando o Gabriel diz que o Bispo branco é escravo da diagonal d1h5 por ter que defender o peão comete um pequeno equívoco. Afinal a escravidão já foi abolida e nosso Bispo pode ter outras aspirações. Por outro lado, analisar um final com uma engine nem sempre funciona bem. As máquinas ainda tem alguma dificuldade com finais de partidas. Por outro lado o que a gente quer é não só saber se ganha (ou empata) mas, também, como se faz isso. (continua no próximo post)