27 de dez de 2008

54 Catarinense absoluto

6a rodada
O Rei e o goleiro do São Paulo
Uma das coisas mais interessantes que acontecem ao terminar um torneio é como me dá uma vontade enorme de aprimorar o meu jogo . A quantidade de idéias sobre o que tem que ser feito é gigantesca. O difícil é chegar em casa e colocar isso em prática. Estou me esforçando. Menos do que gostaria mas, estou me esforçando.
Na 6a rodada eu joguei contra o Antonio Bambino, seguramente um dos jovens catarinenses que apresentou a maior evolução, sendo hoje candidato ao título de qualquer torneio que dispute.
Jogamos a rodada de olho na mesa do Disconzi já que nós três estávamos em primeiro lugar e poderíamos ficar na liderança sozinhos com a vitória. O empate do Disconzi contra o Alfeu na mesa 1 reforçou essa sensação.
Mais uma vez joguei minha velha Leningrado, com que eu tenho uma porcentagem enorme de vitórias de pretas (fora as que escaparam). O problema é o quanto se sofre pra jogar isso de pretas. Por sorte ele entrou em uma variante que eu tinha (re)analisado recentemente. Fiquei melhor com uma certa rapidez (no final tinha que responder a cada passo por que não tomei o peão em b7 no lance 5. O fato é que não é fácil jogar essa posição de pretas. Por isso preferi a segurança de jogar uma posição minha conhecida. O lance 8.c3 talvez tenha sido precipitado. Gosto mais de 8.Cf3desenvolvendo e se 8...Cb4 9.Ca3 O cavalo em b4 não está bem colocado.
Outra cois interessante, ao menos nas minhas partidas, é como várias vezes houve a possibilidade de dar xeques para impedir o roque e quase sempre foram postergados. Alguns anos atrás eu jamais hesitaria em dá-los. Não sei se isso é uma evolução ou involução.
O lance 23...Rb6 me deixou muito feliz. É o reconhecimento por uma peça que costuma ser escondida enquanto uma guerra está acontecendo lá fora. Nessa partida o Rei me lembrou o Rogério Ceni, goleiro do São Paulo, famoso por suas idas ao ataque. Já que todas as minhas peças estavam "marcadas", quem sobrou para fazer o que tinha que ser feito foi o Rei. E o fez muito bem. O problema aqui era como progredir na posição já que eu não tinha como avançar meus peões do centro. O Rei em b6 impede Cc5 e ameaça tanto a5 quanto c5. E durante vários lances só o rei joga. Isso é muito raro no meio-jogo. Depois de 27.Cg1 as pretas ganham um peão. Posição melhor, peão a mais, torre na sétima, peão passado distante... O que poderia dar errado? Em primeiro lugar faltou calma. Que idéia é essa de querer trocar tudo o mais rápido possível? A técnica tem que funcionar com pouco tempo também. Primeiro criar fraquezas do outro lado do tabuleiro para que quando ocorram as trocas o adversário não consiga defender essas fraquezas e impedir ao avanço do peão ao mesmo tempo.
Depois de 37.Cc5 as brancas recuperam o peão e os cavalos brancos dominam o centro. Isso é extremamente perigoso no ping. Depois de várias tentativas as brancas sacrificaram seu cavalo pelos peões pretos e a partida empatou.
O resultado não chegou a ser um baque para mim mas certamente eu me senti bem desgostoso quanto à forma como eu joguei o final da partida.
Agora era esperar o dia seguinte.





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